Sobre a Transição

Fevereiro 9, 2008

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“(…)E os que se empenham em nos fazer sofrer a angústia e o peso dos fracassos individuais serão os mesmos que reclamarão o mérito pelo nosso sucesso.

Pouco vale o quanto bom filho tenhas sido.

Pouco importa a atenção e cuidado que tenha observado aos familiares, assim como aos amigos que se empenham na prova do amor que lhe dizem ter.

Haverá momentos em sua vida onde estará verdadeiramente só, no mais amplo sentido de solidão, seja ela material ou presencial. Você sofrerá a carência da disponibilidade que outrora dera àqueles a quem dispensou afeição.

Este será o momento transitório de travessia solitária, transição, mudança em que temos a grande oportunidade de nos testarmos na capacidade individual da superação, de criar a própria motivação, em abrir mão de valores envelhecidos e assumir a aquisição de outros e, não menos importante, validar que verdadeiramente ainda que estejamos de alguma forma acompanhados, diante do universo pessoal estamos de fato sozinhos.

E os que se empenham em nos fazer sofrer a angústia dos fracassos individuais serão os mesmos que reclamarão o mérito pelo nosso sucesso.

Já pude por vezes observar o quanto isso é uma verdade soberanamente humana.

De fato a vida tem me mostrado isso, com o mais alto grau e valor.


I’m not one to believe in magic

Janeiro 16, 2008

power_window.jpg Minha criatividade anda em baixa nestes últimos tempos. Devo isso muito mais à uma confusão complexa em demasia do que a ausência de inspiração propriamente dita. Revendo uns escritos que admiro, e que pra mim sereviram como referência em algum tempo/espaço, resgatei a letra de PRESTO. Há ditos nela realmente adequados às relfexões as quais deveríamos nos aplicar diariamente. Incluo-me neste hall de ausentes. Boa semana a todos (ou o que resta dela).


I am made from the dust of the stars
And the oceans flow in my veins
Here i hide in the heart of the city
Like a stranger coming out of the rain

The evening plane rises up from the runway
Over constellations of light
I look down into a million houses
And wonder what you’re doing tonight

If i could wave my magic wand
I’d make everything all right

I’m not one to believe in magic
But i sometimes have a second-sight
I’m not one with a sense of proportion
When my heart still changes overnight

I had a dream of a winter garden
A midnight rendezvous
Silver, blue, and frozen silence
What a fool i was for you

I had a dream of the open water
I was swimming away out to sea
So deep i could never touch bottom
What a fool i used to be

If i could wave my magic wand
I’d set everybody free

I’m not one to believe in magic
Though my memory has a second-sight
I’m not one to go pointing my finger
When i radiate more heat than light

Don’t ask me
I’m just improvising
My illusion of careless flight
Can’t you see
My temperature’s rising
I radiate more heat than light

Don’t ask me
I’m just sympathizing
My illusions a harmless flight
Can’t you see
My temperature’s rising
I radiate more heat than light


Sobre a vida no superlativo

Novembro 30, 2007

 

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“O persistente pensamento no aproveitamento máximo da vida, em todos os sentidos, nos propõe o encontro com desafios muitas vezes desnecessários.
Falta senso crítico sobre o que realmente vale à pena”

Eis que chega o último trimestre do ano. Reflexões e visões prosaicas à parte há sempre uma incessante busca pelo diferencial entre aquilo que se desejou e o que realmente foi planejado. Com um intuito muito mais intimista do que pragmático é normal uma busca incessante pelo saldo, comumente apresentado como negativo. Seria exagero concluir que este saldo está sempre negativo ?

Acho que não. Sigo uma linha de pensamento muito mais prática e observadora da retórica de nossas próprias histórias pessoais, confrontada com o que o senso comum nos apresenta. Falo em linhas típicas, normais em pessoas comuns como nós, que trabalham , estudam, se desenvolvem, vivem e são por mais das vezes persuadidas, por modelos muito mais subliminares do que reais, a viver intensamente numa busca incondicional do superlativo em todos os sentidos. O persistente pensamento no aproveitamento máximo da vida, em todos os sentidos, que nos propõe o encontro com desafios muitas vezes desnecessários. Sinto que há uma endêmica falta de senso crítico sobre o que realmente vale à pena.

Uma decisão outrora heterodoxa seria a busca do equilíbrio, fato que me desperta lá certa dúvidas quanto a sua sustentabilidade, em face de fundamentos análogos ao fenômeno que refletimos aqui: o viver no superlativo.

Tenho um amigo, laboratório ao céu aberto, que sempre está com o tal “saldo” negativo, seja no plano profissional ou pessoal. Vitima de uma constante tensão causada pela sensação de débito, busca incessantemente uma causa, culpado ou justificativa plausível para suas falências e frustrações nos projeto de vida. Uma sensação constante de estar para trás, ultrapassado. O carro que não comprou, o salário a casa, a nova “rede” de amigos.

Não questiono a busca das realizações com disciplina, planejamento ordem e bom senso. No entanto uma busca constante e descontrolada por realizações fugazes. Há tanto o que jogar fora, lixo conceitual de um meio que nos cobra por um lado e rouba energia de outro, sem promover meios.

Reconheço ser dura a resistência contra este mal, mas há muito no outro lado a nos convencer, seja com argumentos surpreendentes, seja com vitrines de realização que ocultam o caminho e tão pouco o revela como lícito ou não.

Tento resistir a isso, e tenho vencido até então. Não sou único e convivo com poucos admiráveis.

Realização profissional não se limita ao trabalho bem feito, mas está sim representada por aquele que faz a verdadeira diferença. Há limites sutis para este entendimento e nossos gestores geralmente os confundem como atropelos e resultados não qualitativos.

Tenho poucos, porém incríveis exemplos próximos, da realização profissional edificante e salutar, sem o peso da tentativa vazia de convencimento. São poucos os quais precisam ser um exemplo de vida em demais sentidos, que excedem a capacidade de percepção de um líder ou ícone pseudo-construtivo que a mídia ou ambiente corporativo nos apresenta. Não posso aderir a exemplos os quais não me tenham sido submetidos ao crivo da inteligência e da observação próxima.

Realização pessoal é o resultado do natural empenho, descolado naturalmente dos fatores profissionais com a carga de tudo o que apresentei acima, sem que pra isso soe ao fundo apenas como uma necessidade do “parecer” em detrimento do “ser”. Há sempre um derradeiro momento em que o ser prevalecerá.

Espero que o resultado do que expresso seja o aceite do convite à reflexão.

Refletir sobre a maneira qualitativa de empenharmos nossas energias pessoais. Uma visão lúcida das possíveis realizações da vida em sua amplitude, fundamentado pela consciência do possível e necessário opondo-se ao superlativo que nos rouba esta energia transfigurado de exemplo de realização, inexoravelmente inatingível.

Pensem nisso, por um instante que seja.

[Belo Horizonte, Agosto de 2007]


Do desafio à reflexão (parte I)

Outubro 20, 2007

vmo03031.jpg “Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos”

(Pablo Neruda)
 


Helen Keller : mesmo surda, muda e cega, expandiu sua inteligência

Outubro 17, 2007

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Helen Keller (1880-1968), uma mulher extraordinária, cega, surda e muda desde criança nos chama a atenção para a apreciação dos nossos sentidos.

Apenas de posse do sentido do tato e uma perseverança inigualável, sob a orientação de Anne Sullivan Macy, Keller pôde aprender a ler e escrever pelo método Braille, chegando mesmo a falar, por imitação das vibrações da garganta de sua preceptora, as quais captava com as pontas dos dedos.

O esforço de sua mente em procurar se comunicar com o exterior teve como resultado o afloramento de uma inteligência excepcional, considerada a maior vitória individual da história da educação. Ela foi uma educadora, escritora e advogada de cegos. Tinha muita ambição e grande poder de realização. Ao lado de Anne Sullivan, percorreu vários países do mundo promovendo campanhas para melhorar a situação dos deficientes visuais e auditivos. É considerada uma das grandes heroínas do mundo, alterando a nossa percepção do deficiente.

Disse ela, em um de seus escritos:

“Várias vezes pensei que seria uma benção se todo ser humano, de repente, ficasse cego e surdo por alguns dias no principio da vida adulta. As trevas o fariam apreciar mais a visão e o silêncio lhe ensinaria as alegrias do som”.

O texto todo, muito profundo, belo e comovente, está em     http://www.hki.org   . Vale a pena ler.

 


Meus 8 anos

Outubro 14, 2007

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Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Dacom052.jpgcom052.jpg minha infância querida
Que os anos não trazem mais!

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;

O mar é – lago sereno,
O céu – um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida – um hino d’amor!

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!

O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!

Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberto o peito,
- Pés descalços, braços nus –

Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;

Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!